No dia 17 de abril de 2026, o Hangar Náutico da UFRJ, sede do NIDES, foi palco do lançamento do Centro de Formação em Economia do Mar (CF Ecomar BG )

O projeto é uma iniciativa coordenada pelo Movimento Baía Viva em parceria com o Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (NIDES/UFRJ) e conta com o patrocínio da Petrobras Socioambiental.

A iniciativa visa fortalecer as comunidades de pescadores artesanais da Baía de Guanabara, promovendo inclusão social, geração de renda e educação ambiental nos sete municípios envolvidos.

Ancestralidade e Educação para o Futuro

O evento começou com um café da manhã preparado pelo coletivo Mulheres em Ação e uma cerimônia de abertura marcada por cantos ancestrais entoados por lideranças indígenas, como Dauá Puri, Sol e o pajé da aldeia.

A apresentação ficou a cargo do geógrafo e professor Marcelo Lemos e da bióloga e educadora ambiental Francisca Cardoso, ambos do Movimento Baía Viva.

A sequência de atividades incluiu a exibição de vídeos institucionais, com destaque para a homenagem a Elmo Amador, professor da UFRJ e fundador do Baía Viva, cuja luta pela preservação dos manguezais e pela criação da APA de Guapimirim foi relembrada com emoção.

O público, composto por representantes de 48 instituições — incluindo universidades como UFF e UNIRIO, órgãos como IBAMA e ICMBio, prefeituras da região, ONGs e grupos indígenas Guarani de Maricá —, acompanhou os planos para os próximos três anos de cursos técnicos e populares.

Vozes da Liderança e Investimento Social

Durante a composição da mesa diretora, foram mencionados todos os integrantes: o reitor Roberto Andrade Medronho; a vice-reitora Cássia Turci; José Maria Rangel (Petrobras); Felipe Addor (NIDES); Sérgio Ricardo Potiguara (Baía Viva); a vice-decana Maria Inês; Zumira Amador (viúva de Elmo Amador); Andréia Vanini (Fiocruz); e a escritora Eliane Potiguara.

Sérgio Ricardo destacou a continuidade de uma história de luta em defesa da saúde da Baía de Guanabara. O representante da Petrobras, José Maria Rangel, ressaltou que a empresa investe voluntariamente R$ 480 milhões em projetos socioambientais, enfatizando que a parceria com a UFRJ e o Baía Viva tem o “DNA de transformar a vida das pessoas”.

Felipe Addor, do NIDES, reforçou que o Hangar deve funcionar como um espaço de “reparação histórica”, abrindo as portas da universidade pública para comunidades tradicionais e trabalhadores. Ele lembrou também o terrível massacre de Eldorado dos Carajás, assunto revisitado quando completa 30 anos.

O Protagonismo Feminino e a Emoção de Eliane Potiguara

As mulheres na mesa diretora, como a vice-reitora Cássia Turci e a vice-decana Maria Inês, celebraram o compromisso social da universidade. Marcella, gerente de projetos sociais da Petrobras, também foi citada por sua liderança técnica na viabilização do CF Ecomar BG.

Um dos momentos mais tocantes foi a fala de Eliane Potiguara, ainda se recuperando de um AVC, que emocionou os presentes ao tratar do “resgate do sonho” e da acolhida às famílias indígenas desterritorializadas.

Eliane é escritora, poeta e ativista, fundadora da Rede Grumin de Mulheres Indígenas. Foi a primeira mulher indígena a receber o título de Doutora Honoris Causa pela UFRJ, sendo uma referência internacional na luta pelos direitos humanos e ambientais.

Em breve novas fotos serão postadas, depois do tratamento e organização do grande dia que foi.

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