FOTO – Maricá Info – De um lado, a “locomotiva do pré-sal”, uma cidade que ostenta orçamentos bilionários, e pretende obras de infraestrutura que mudariam a paisagem urbana a cada mês. Do outro, um fantasma de 50 anos que se recusa a abandonar o cotidiano da população: a crise crônica no abastecimento de água.

E no meio do Verão, quase 24 mil pessoas afetadas de uma forma ou de outra pela falta dágua e em alguns desses locais, pela falta de luz. Essa é a população presumida de verão nos bairros mais atingidos. São eles: Araçatiba, Espraiado, Manoel Ribeiro, Ponta Negra e áreas adjacentes à Lagoa de Juturnaíba (na fronteira com Saquarema). Vejam bem, não é apenas a periferia distante, é bairro do lado do centro de Maricá.

Maricá era um refúgio de veraneio com poucos residentes fixos. Nas décadas de 70 e 80, o abastecimento era uma questão individual: quem podia, furava seu poço artesiano; quem não podia, dependia da solidariedade ou de bicas públicas. Com a virada do milênio e, especialmente, após o “boom” do petróleo em 2010, a população saltou de 127 mil para quase 200 mil habitantes.

“A pipa d’agua mais barata em Marica são 200 reais. Água roubada das nascentes. Que pertence ao povo, que seria pra distribuir gratuitamente. Quem pode dispor de 200 reais pra comprar Água ? Como planta, produz alimento sem água? Ontem várias famílias sem água, até pra beber. ” declarou Márcia Ribeiro, moradora de Maricá e ativista do Baía Viva.

Respostas com projetos que ainda não surtem o efeito esperado

Atualmente, o enfrentamento ao problema ocorre em duas frentes principais. A Águas do Rio, concessionária que assumiu o serviço em 2021, executa a construção da Quarta Adutora e a modernização de redes em distritos como Itaipuaçu e Inoã. Paralelamente, a Sanemar (Companhia de Saneamento de Maricá), braço municipal, investe em Mini-ETAs e no programa “Sanear Mais Água”, focado em populações vulneráveis e sistemas isolados. Já são 4 verões sem resultados.

Quem diz é a população. Uma única postagem no perfil da Maricá Info, no Instagram acumulou, em menos de uma semana, 1.200 curtidas e mais de 135 comentários — a maioria relatos desesperados de mães de família, idosos e comerciantes que não conseguem manter a rotina básica de higiene e sobrevivência. É apenas 1 instagram.

“Pagamos impostos de primeiro mundo, mas vivemos como no século passado, esperando o caminhão-pipa que nunca chega ou custa uma fortuna”, desabafou um morador de Araçatiba na publicação. Leia comentários na postagem abaixo.

PUBLICAÇÃO DO INSTAGRAM