Em reunião dia 31 de março, a sede do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e órgão gestor da Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual de Maricá, recebeu pela primeira vez lideranças indígenas, das aldeias Guarani de Mata Verde Bonita e Céu Azul,com participação de representantes do Movimento Baía Viva e Fiocruz Mata Atlântica.

Foi pactuado a realização de vistoria técnica conjunta no mês de abril na área da restinga da APA Maricá que tem grande concentração de focos de incêndios florestais, participação dos técnicos do órgão no processo de capacitação dos brigadistas e a avaliação pelo órgão estadual da contratação dos Brigadistas formados pelo projeto para atuar na proteção da APA Estadual de Maricá. Também foi solicitado ao INEA (SEAS) a doação de ferramentas e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e veículo apropriado para que os brigadistas de Maricá tenham condições seguras e adequadas de atuar na prevenção do fogo nas matas.

O objetivo da 1a Brigada Indígena do estado do RJ é atuar na proteção da biodiversa restinga da Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual de Maricá que abrange uma extensa área com 969 hectares e tem dezenas de focos de despejo ilegal de lixo (sofás, pneus etc) que num cenário de estiagem prolongada tem sido destruída pelo aumento expressivo de incêndios florestais que vem destruindo a fauna e flora, e queimando plantas de usos medicinal e ritualístico.

A formação da 1a Brigada Indígena do estado do Rio de Janeiro é uma iniciativa do Movimento Baía Viva, organização de caráter socioambiental, cultural e pluriétnico fundada em 1984, e da Comissão de Lideranças da Aldeia Mata Verde Bonita e conta com o apoio institucional do Fundo Casa Socioambiental.

Durante 6 meses será formada uma turma com 30 Brigadistas entre homens, mulheres e jovens acima de 18 anos. O certificado de Brigadista será concedido pelo programa PrevFogo do IBAMA (MMA).

Além da APA Estadual de Maricá, o município dispõe de 9 Unidades de Conservação Ambiental e nenhuma destas Unidades de Conservação da Natureza dispõe atualmente de Brigadas de Incêndios Florestais, o que tem colocado em risco a conservação destes relevantes ecossistemas.

Como desdobramento da “Brigada Indígena por Maricá”, foi iniciada uma mobilização protagonizada por indígenas, agricultores familiares, produtores agroecológicos de Maricá e ecologistas para que a Prefeitura Municipal de Maricá e a Câmara de Vereadores local aprovem uma legislação para criação de uma Brigada de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais para atuar de forma permanente na defesa das áreas verdes remanescentes existentes no território maricaense.

São parceiros desta iniciativa pioneira os seguintes órgãos públicos: Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) do Ministério dos Povos Indígenas (MPI); Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgãos do Ministério do Meio Ambiente e de Mudança do Clima (MMA); Fiocruz Mata Atlântica vinculada à Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/FIOCRUZ), Secretaria Estadual de Saúde (SES), Conselho Estadual dos Direitos Indígenas (CEDIND-RJ) e a Prefeitura der Maricá através das Secretarias Municipais de Agricultura e Pecuária, de Participação Popular, Direitos Humanos e Mulher e de Saúde (SMS) que está realizando os testes de saúde e aptidão física dos Brigadistas.