O recente e brutal ataque a uma capivara na orla do Quebra Coco, na Ilha do Governador, ocorrido no último sábado (21 de março), trouxe à tona não apenas a discussão sobre crimes ambientais, mas também sobre como devemos interagir com a fauna silvestre. Enquanto o animal se recupera de um traumatismo craniano grave em  centro especializado, especialistas reforçam uma diretriz técnica fundamental: animais em reabilitação não devem receber nomes. O Baía Viva em parceria recente com a Associação de Moradores do Quebra Coco está em busca de especialistas que possam fazer parte de projeto para proteger as capivaras que estão se proliferando indiscriminadamente e acessando os espaços onde passam pessoas e veículos.

O Erro Técnico do Apego

Embora o impulso humano seja batizar animais feridos como forma de afeto, a academia e os centros de reabilitação técnico-científicos consideram essa prática um erro técnico grave. O objetivo central do tratamento é a devolução à natureza. Para que a soltura seja bem-sucedida, é vital que o animal não desenvolva proximidade com seres humanos nem perca seus instintos selvagens.

Ao nomear um espécime, cria-se um laço emocional que incentiva interações inadequadas, como falar de maneira “fofa” ou tentar fazer carinho. Esse processo de humanização é reprovável para indivíduos que precisam sobreviver por conta própria na vida livre. O distanciamento garante que, ao retornar ao seu habitat, o animal continue evitando o contato com pessoas, o que é a sua maior defesa contra novas agressões.

Proteção Além do Nome

O caso da Ilha do Governador resultou na prisão de seis adultos e na apreensão de dois adolescentes, que agora respondem por crimes como maus-tratos e associação criminosa. A gravidade do episódio — que deixou o roedor com risco de cegueira — reforça a necessidade de leis mais rígidas e de uma postura consciente da população.

Respeitar a natureza significa entender que animais silvestres não são animais de estimação. Manter o rigor técnico e o distanciamento ético durante a recuperação é o caminho mais seguro para garantir que capivaras e outros animais nativos possam, de fato, voltar para casa.

Você conhece os mamíferos silvestres da Ilha do Governador?

Colaborador do Baía Viva e parceiro junto ao projeto Museu da Ilha, o ativista Caio Tenório deixou no nosso grupo de coordenação essa interessante contribuição em texto, para se somar ao assunto.

” Com uma considerável variedade de animais silvestres, apesar da crescente urbanização, a Ilha do Governador é o lar de uma grande diversidade de mamíferos, répteis, anfíbios, peixes, aves, crustáceos, insetos e mais! Conhecer e aprender sobre esses animais é fundamental para a nossa coexistência dentro do território insulano, respeitando seu espaço e comportamentos naturais. Em especial, dedicamos essa reflexão sobre a fauna insulana, em especial seus mamíferos, ao caso da capivara macho agredida na madrugada do dia 21/03/2026 no Jardim Guanabara, covardemente atacado por seis homens adultos e dois menores. Repudiamos esse ato criminoso e torcemos junto a todo o Brasil pela recuperação plena do animal e pelo cumprimento das leis contra maus-tratos à animais ” , encerra.

 

FOTOS : capivaras em Curitiba/ Div Pref. Curitiba.