Importante acervo memorialístico na Ilha do Governador está sendo destruído por cupins e traças numa sala da Subprefeitura da Ilha, na Zona Norte carioca. Até agora nenhum órgão público ou entidade privada apareceu para ajudar na campanha por um novo espaço para o futuro Centro de Referência Histórica da Ilha do Governador (CRHIG).

MUSEU DA ILHA EM BUSCA DE LOCAL 

Em janeiro de 2024, com a privatização para o Sesc-Fecomercio da gestão da Biblioteca Pública Euclides da Cunha localizada no bairro Cocotá, na Ilha do Governador, o rico acervo memoríalistico foi literalmente despejado pela nova gestão e para as peças, quadros, fotografias, documentação não serem jogado no lixo, um grupo de voluntários, entre pesquisadores, pesquisadoras e ativistas do Movimento Baía Viva encaixotaram às pressas as peças, fotos, quadros, documentação que constitui o acervo do CRHIG e as dezenas de caixas de papelão com esse material foi parar na sala e varana da casa de uma moradora do bairro e outras caixas ficaram armazenadas precariamente por meses no depósito da Areninha Carioca gerida pela Secretaria Municipal de Cultura.

Após várias reuniões do coletivo Museu Insulano e do Baía Viva realizadas no auditório da Biblioteca da Ilha, na sede da Secretaria Municipal de Cultura e na Subprefeitura da Ilha do Governador, finalmente no 2o semestre de 2024 as caixas de papelão com o acervo foi “guardado” provisoriamente numa sala na Subprefeitura da Ilha do Governador onde desde então algumas peças do acervo estão sendo comidas por traças e cupins.

No entanto, apesar de prometido nas reuniões com as autoridades municipais, até o momento, a prefeitura do Rio de Janeiro não tomou qualquer providência para descupinizar o acervo (diariamente quadros com pinturas antigas do bairro, documentos estão sendo extraviados pela contaminação por cupins e traças). Nas reuniões em 2024, também foi prometido que a Secretaria Municipal de Cultura (SMF) disponibilizaria uma profissional da área de Museologia e material como luvas, máscaras para fazer a descontaminação das peças do acervo, mas no entanto até o momento isso não aconteceu.

No ano passado, o assunto foi para a Comissão de Cultura da Câmara de Vereadores que também não tomou qualquer providências efetiva para evitar a destruição do importante acervo memoríalistico da Ilha do Governador que é um dos mais antigos bairros da cidade do Rio de Janeiro e que na época da colonização e invasão europeia era habitado por 8 mil indígenas da etnia Temiminos (“Maracajás”). Também teve a presença em seu território de africanos escravizados que trabalham de forma forçada em fazendas e engenhos de cana de açúcar que existiam na Ilha do Governador e na época abasteciam a população da cidade do Rio de Janeiro.

” O Baía Viva exige providências imediatas do prefeito Eduardo Paes, da Câmara de Vereadores da cidade, dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, para evitar a destruição dos registros históricos da Ilha do Governador, terra do povo Maracajá” , encerra a nota do movimento Baía Viva, que acompanha e colabora com esse importante acervo há pelo menos 10 anos.

Única providência contra o descaso foi o Jimo Cupim, que não funcionou.